Pai (2)

22 jul

I'll try to stay, but it's getting hard.

Lagrimas correm sobre meu rosto, querendo demonstrar tamanha raiva que sinto dentro desse pequeno coracao. Sim, pode ser e deve ser uma raiva passageira, algo a respeito de acoes pequenas, de momentos pequenos; Mas como sabem, os momentos pequenos devem ser os melhores, pois estes que ficam pra sempre em nossa memoria. As lagrimas nao param de escorrer, comeco a gritar, como se ele pudesse me ouvir. Minha historia a respeito de meu pai nunca foi boa. Nunca o tive presente em minha vida, ainda mais por meus pai serem separados. Ele me deixou quando eu tinha apenas 1 ano, mas continuou a nos visitar sempre ate meus 4. Me lembro de um dia em que ele chegou em casa e businou, eu sai correndo em direcao ao portao, abri muito rapido, entrei no carro com um sorriso enorme -igual aos de criancas felizes aos 4 anos-, dei um abraco nele e disse: “Ooi paaaaaiiee!” Ele olhou pra mim, nao me deu um abraco e disse: “Chama sua mae pra mim.” Eu nao ganhei nem um abraco, nem um sorriso, nem palavras tolas ou despreziveis… Eu quem fui desprezada. Eu saio do carro, e ainda com o sorriso no rosto, vou andando devagar em direcao a porta de casa, enquanto ando meu sorriso vai desaparecendo. Sim, apenas 4 anos eu tinha, e guardo esse momento ate hoje. Nao desisti de meu pai, com certeza nao. Eu o ligava todas as sextas-feiras perguntando se ele iria ficar comigo naquele final de semana; As vezes eu ganhava um “sim, filha” mas em outras recebia um simples “nao”. Eu costumava a dormir com meu pai, na cama dele, toda sexta. Ate que um dia, ele disse “nao quero que voce durma mais comigo! Eu nao durmo direito.” Me doi lembrar dessas palavras, eu tinha apenas 5 anos. Entao, no meu aniversario de 6 anos -que foi na escola-, eu o chamei e ele nao apareceu. Ele nem ligou pra avisar. Ele nunca se lembrou dos meus aniversarios, nunca me deu presentes, mal me deu um sorriso. Nunca fui acolhida por ele, e isso se reflete no hoje. Eu ainda tento recupera-lo, e ele tem melhorado, ainda mais por eu morar com ele agora. Mas ele nao tenta o suficiente, e ele troca tudo pros prazeres dele, mas ele pedeu 3 semanas viajando a toa, e nao pode perder uma sexta-feira pra ir viajar comigo. Sabe o que eu fiz com ele essas ferias? Nada. Sabe o que fiz com a minha mae essas ferias? Nada. Agora me diz, por que ainda tento? Por que ainda quero? Por que ainda estou aqui? Esse eh meu ultimo ano como “ultima filha”, mas ninguem reconhece, ninguem percebe. Eu sou um vazio, um fantasma dentro de um lugar cheio de gente. Sou uma pequena crianca ainda, mas so pra eles. A pai, como eu queria que voce me olhasse de modo diferente. Como eu gostaria que voce perdesse um dos seus dias preciosos comigo. Como eu queria um abraco sincero, palavras e olhares sinceros. Como eu queria ser sua filhinha em que voce passasse a mao no rosto, limpasse minhas lagrimas de agora… Mas o que voce faz? Apenas observa. Me escuta chorando durante noites em que sinto dor, que quero ter alguem, que preciso de alguem. Como eu queria receber seu amor verdadeiro. Me desculpe se falhei em algum momento, mas agora eu desisto. Limpo minhas maos, e abro mao de tentar ser feliz dentro de casa, desisto de ter um “Lar, doce lar”. Eu nunca o tive mesmo, que diferenca faria ne? Eu queria ser seu tudo, ou seu pouco; Mas nao consigo. Voce se cega com seu trabalho, se cega com seus amigos, e deixa para tras sua filha. Talvez, SE voce um dia decidir olhar para tras, me veja de costas, partindo; Ou talvez eu ja nem esteja mais la.

With love and pain, inside of this little black heart, Sarah.

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